Friday, October 06, 2006

The first interactive movie-theater experience of the World




To friends abroad ...

The Product:
Fiat Idea Adventure, a light off-road car based on Fiat’s adventure line. Designed for adventurous people who live in urban cities.

The concept:
The life in the city is a big adventure, bringing surprises and day-by-day consequences. No matter your choices adventures will always cross your way. So, take advantage of it.

The Interactive Movie-Theater Experience
John is a guy who has a hurried life as all of us live circumstances and events as consequences of his choices transforming his day in a real adventure. The interactive film gives users a chance to play as god and experiencing a different life’s options, from the most unexpected to the most ordinary. Anyway life always reserves surprises and give him an opportunity to live unexpectedly adventurous experiences.

The Idea-Adventure interactive movie has approximately 6 minutes and can generate until 16 different versions. It will be exhibited between traditional previews at the most “cult” movie-theaters in Sao Paulo, Rio and Belo-Horizonte. The interactivity in the movie-theaters will happen through a personal test where people answer questions using their cell phone following instructions on the big screen and sending answers by SMS. After two next previews it will exhibit the film built by choices of the majority viewers. Finally, the film ends inviting users to create other days in John’s life at www.ideaadventure.com.br.

The interactive movie-thater was created by AgenciaClick, with Rodrigo Meirelles as movie director and Fernando Meirelles (City of God director) as executive-producer.

Wednesday, October 04, 2006

Technocão

Um cãozinho uivante + microfone + noções de rítmo + um editor de trilha (garageband) = Experimentos sonoros que podem ser chamados também de maluquices sem propósito.
Como é bom divertir-se e inventar utilizando essas coisinhas interessantes. Claro que nada disso seria possível sem a simpatia e o talento do cãozinho. É a velha história, pra nada serve a tecnologia sem o lado humano, quer dizer o lado "ser-vivo" ;)
Isso nada mais é do que uma brincadeira digital. Afinal, o que não pode ser????
Aproveite e dance um pouquinho ao som de um technocão. Será que tô indo longe demais?


powered by ODEO

Tuesday, October 03, 2006

Brasil interativo até nas eleições

Quem se lembra do fiasco norte-americano no processo de apuração de votos nas últimas eleições nos Estados Unidos. Pior do que a demora na contagem dos votos foi a insegurança de mais de 200 milhões de pessoas causada pela vulnerabilidade do processo eleitoral.
O mico do nosso país amigo é inversamente proporcional à realidade brasileira, onde em menos de 24h já se sabia exatamente o quadro final das eleições para Presidente da República. Urnas eletrônicas, um processo de apuração totalmente automatizado e a competência da mídia em repassar para a sociedade milimetricamente os resultados na medida em que os votos vão sendo somados marcaram mais uma vez o diferencial brasileiro na combinação de duas grandes competências nacionais comunicação & tecnologia.

Trocando em miúdos, a "experiência eleitoral brasileira" é um exemplo de que essa combinação faz toda a diferença.

Propaganda Moderna também é manter a cidade limpa

Esses dias estava preparando uma apresentação sobre propaganda moderna. Eram diversos cases de criatividade mas também outros que mostravam formas inovadoras de impactar o consumidor, principalmente os que associavam contexto e relevância. Foi então que lembrei do tema tão polêmico "mídia exterior em SP" e pensei: Puxa, não é que as coisas estão realmente mudando... Imaginar São Paulo sem as centenas de milhares de empenas, outdoors e interferências urbanas até um tempo atrás era impossível". E não é que hoje a medida está aprovada ?!?!
Independente da causa que possa ter transformado esse discurso em fato, a realidade é que não poluir a cidade visualmente é uma atitude moderna, dígna e de grande mérito para as marcas que assim o fizerem.
Enfim, aproveitando, oportunidade pra criar novidade é o que não vai faltar!

Wednesday, September 13, 2006

Curta-metragem interativo no cinema e na internet









Quem mora na cidade e nunca foi surpreendido por um dia cheio de fatos inesperados, dos mais variados possíveis? Imagine se em cada decisão simples na sua vida você pudesse conhecer as consequências das escolhas que faz. Não há dúvida que no mínimo o melhor da vida ficaria para trás. E se ao menos nós pudessemos escolher novamente os nossos passos só pra ver no que pode dar e tirar o melhor proveito disso?

Essa é a história de João, protagonista do filme interativo da Fiat, que não só mostra exatamente isso, mas permite que você brinque de Deus, escolhendo as várias opções da vida dele e assista suas consequências.

A nova campanha interativa da Fiat para o lançamento do IdeaAdventure vai trazer um curta-metragem interativo criado na Click, produzido por Fernando Meirelles e dirigido por Rodrigo Meirelles da O2 Filmes.

Confesso que criar e fazer acontecer uma iniciativa dessas não é nada fácil, são quase 16 roteiros diferentes. É tudo literalmente uma graaaaaaaaaande aventura, desde a concepção, passando pela aprovação e por fim a produção-final. Afinal, quem tá na chuva é pra se molhar e no mínimo se divertir, ou será que a gente também não poderia tirar o melhor proveito disso? Esse é o espírito.

Assim que o filme entrar no ar daqui uns dias, eu aproveitarei pra contar aqui todas as aventuras e aprendizados.

Pra fechar o post por hoje vale a pena dizer que o filme será exibido em salas de cinema digitais de BH, RJ e SP. A experiência interativa no cinema será divida em dois momentos da sessão, a primeira parte é um trailer que convida o expectador a enviar por SMS as letras correspondentes às suas opções relativas às perguntas que lhe são apresentadas na tela. Logo em seguida no segundo momento, em tempo real, o sistema identifica os votos da maioria dos expectadores daquela sala e exibe no telão o curta-metragem montado pelos próprios participantes.

Na internet, o endereço www.fiatideaadventure permitirá que todos os visitantes possam criar vários filmes onde as histórias se completam e finalizam materializando a mensagem "A vida na cidade é uma aventura". Vale a pena depois conferir...

Monday, September 04, 2006

Chorinho é muito mais que gênero musical

Ao chegar para morar definitivamente em São Paulo cerca de dois anos atrás conheci a feira Benedito-Calixto, e um fato muito impressionante me marcou lá, a presença de vários senhores tocando com muito entusiasmo horas de chorinho. Apesar de gostar muito de música, principalmente desse estilo que consagrou uma das mais talentosas pessoas que já passou pela Terra (Cartola), eu nunca tinha presenciado tão intensamente tal experiência ao-vivo.

Aquilo me marcou profundamente a ponto de não conseguir ouvir nada de diferente durante meses e acabou me influenciando muito, a ponto de fazer parte do meu repertório de trabalho, onde tive a oportunidade de oferecer ao cliente algo que na minha opinião trazia uma mensagem relevante e genuína para o consumidor como também pela oportunidade de materializar e compartilhar da inspiração pela vida como parte do dia-a-dia no trabalho.

Mas afinal, qual é a diferença entre o repertório do trabalho criativo do dia-a-dia de uma agência e a nossa coleção de experiências da vida?

Nenhuma. A combinação desses fatores em um ambiente favorável cria a condição para se desenvolver um resultado realmente apaixonante e original, tornando a experiência criativa uma oportunidade natural do que pode ser considerado uma comunicação íntegra e profunda.

Auto-referência !!!



Infelizmente hoje uma boa parte da propaganda brasileira tradicional ainda tem como principal referência e inspiração as suas próprias experiências anteriores, ou no máximo as experiências elaboradas por outras pessoas que também trabalham com propaganda. O cenário se agrava ainda mais quando vemos os mesmos modelos, os mesmos traquejos e as mesmas fómulas se repetirem, repetirem e repetirem sem parar. Chega ao ponto em que até embalagens de marcas concorrentes dentro de um mesmo segmento são copiadas para serem consideradas uma opção de compra mesmo que por similaridade.

Esqueceram que o mundo moderno conta com uma indústria de cinema gigantesca, uma infinidade de artistas plásticos, bilhões de músicas, livros, fatos interessantes, assuntos, exposições, estórias e tantas coisas incríveis disponívels que fica difícil acreditar que a referência atual continue sendo apenas a própria propaganda. Sem falar do cotidiano do ser-humano que naturalmente sempre foi a mais rica referência da experiência humana. Será que as pessoas hoje não vão mais em locais públicos ou não percebem a peculiaridade das diferenças individuais e das relações humanas? Esses detalhes percebidos jamais serão apontados em pesquisas, em dados demográficos ou TGIs da vida. Para piorar ainda existem alguns que não percebem sequer as mudanças dentro das suas próprias casas e nem vêem a nova relação que seus filhos possuem com as chamadas “mídias”, seus meios de comunicação e entretenimento preferidos.

Enfim, talvez esteja todo mundo ocupado demais e não tenha mais tempo para alimentar a alma de novas percepções a ponto de não conseguir fazer outra coisa que não seja reproduzir “melhores práticas”. Se isso não mudar em breve alguém vai acordar e abrir um tipo de empresa onde trabalharão, artistas-plásticos, mágicos, comediantes, escritores, cientistas malucos, fotógrafos, etc, surgindo assim um novo tipo de marketing para a coleção de nomeclaturas de uma mesma coisa do nosso mercado, o “marketing-de-inovação-diária”.

Sunday, September 03, 2006

Cuidado com a epidemia dos conceitos distorcidos !!!


Comunicação viral ao contrario do que muito se fala por aí não é formato e muito menos sinônimo de filminho pra internet. Viral é consequência de algo que impressiona, algo que provoca reação, a ponto das pessoas espontaneamente terem vontade de compartilharem umas com as outras. Se antes a velha propaganda era baseada em emissão e recepção hoje ela deve procurar sempre transformar um receptor em um novo emissor.

Na minha opinião essa é uma das grandes diferenças da propaganda moderna para propaganda tradicional, onde a mensagem deve ter potencial de reação e a sua estratégia permitir a sua redistribuição.

Viral nada mais é do que algo criativo e forte suficientemente para causar reação e se multiplicar, seja proporcionando entretenimento, conveniência, relevância ou simplesmente identificação com causa ou efeito.

Por falar nisso, alguém tem algum novo artigo do Arnaldo Jabor rodando por aí?

Saturday, September 02, 2006

Envie para um amigo !!!


O consumidor é por natureza um formador de opinião. Alguém que de alguma forma passa por experiências que lhe proporcionam vantagens, benefícios ou não. É alguém que vive em grupos, seja no trabalho, entre amigos de faculdade ou simplesmente por afinidade de interesses.

Trocando em miúdos o consumidor é alguém em potencial capaz de falar espontaneamente bem ou mal de algo que vivencia ou é exposto. Na verdade isso nada mais é do que o conhecido bom e velho boca-a-boca, a diferença é que a internet é uma ferramenta de amplificação desse fenômeno em larga-escala, com uma dimensão e velocidade absurdas.

Tuesday, August 22, 2006

El Ojo 2006

Mais um festival para participar como jurado. Contudo, não é mais um. El Ojo é um festival interessante e único porque traz a oportunidade de troca de experiências entre os mercados da América Latina. O interessante é poder conhecer os trabalhos dos nossos "hermanos". E mais, poder conhecer outros pontos de vistas criativos diferentes dos americanos e europeus.
Vale a pena acompanhar. Enquanto isso estamos na primeira fase de avaliação do Festival de Londres, em breve trago novidades.
Esse ano foi realmente uma loucura, acho que acabei participando de todos os festivais internacionais que faltavam. Acho que vale a pena fazer um post só sobre isso. Assim que tiver um tempinho vou providenciar.

Saturday, August 12, 2006

Conclusão

O que é a conclusão se não um estado de espírito, um instante de estabilidade psíquica provocado pela conexão de idéias baseadas em um ponto de vista.

Então pergunto: Quanto tempo dura uma conclusão?
Apenas o instante em que as suas conexões refletem um significado específico.

Existem pessoas que buscam conclusões, existem pessoas que buscam o aperfeiçoamento do ponto-de-vista e existem pessoas que buscam modificar a genética do previsível pela experiência de desconcluir e surpreender-se.

Monday, July 10, 2006

Algoz S/A - Você conhece essa empresa?

www.algoz.com.br

Se você de alguma forma se identifica com o perfil desta empresa, aproveite, pois eles estão contratando enlouquecidamente. Se você por acaso não conseguir agendar sua entrevista, pelo menos aproveite para conhecer seus pacotes de benefícios, acompanhar o dia-a-dia através de webcams e até quem sabe conhecer as pessoas que lá trabalham.
By Leo Burnett e AgênciaClick

Vida nova

A partir desta segunda-feira, dia 10/07, este espaço será dedicado a registrar experiências com criação de forma geral, seja aplicada ao trabalho ou não. Até lá, se alguém tiver alguma dúvida, quiser trocar algum ponto de vista ainda sobre Cannes ou qualquer coisa assim, fique a vontade, será um prazer. Entretanto, a partir de agora a intenção deste blog é trocar a experiência do dia-a-dia mesmo.

Sunday, July 09, 2006

Última Entrevista sobre o Festival (acho eu)

1 - Qual sua opinião sobre a performance do Brasil especificamente na área que contou com sua presença no júri? E quais as razões deste desempenho?

A minha opinião é que na categoria Cyber, a performance do Brasil não foi ruim. De todas as categorias, a criatividade interativa continua mais do que trazendo bons resultados para o Brasil, continua marcando as edições do Festival de Cannes com forte representatividade, tornando o nosso país uma das grandes referências criativas de internet no mundo. Porém, poderia ser melhor. É claro que as diferenças de verbas, de culturas do consumidor e de maturidade, tanto das agências quanto dos anunciantes, são fatores que contribuem muito para que outros países tenham mais facilidades.

O Brasil tinha muitos trabalhos de alta qualidade, os que foram premiados e os que não foram, assim como diversos países como os Estados Unidos e a Inglaterra. E a verdade, que talvez só possa ser compreendida quando testemunhada com olhos próprios, é que existem muitos fatores relativos que influenciam diretamente no desempenho da premiação, alguns aspectos que ainda podem ser contornados e outros totalmente fora de uma análise racional, esses especialmente são refletidos pela sorte ou falta de sorte.
Vou citar alguns dos fatores que para mim influenciaram a premiação. Alguns deles podemos tomar atitudes que possam melhorar o desempenho nas próximas edições, outros nem tanto.


Fator Globalização – Se os jurados do festival foram impactados por uma campanha em tempo e praça de atuação real, e os mesmos por acaso possuam uma opinião favorável sobre esse trabalho, independentemente da exposição da campanha no festival, ela já tem pelo menos popularidade no júri. Com isso, as campanhas globais naturalmente já são mais expressivas. É preciso criar de alguma forma uma exposição dos trabalhos nacionais dentro do trade internacional e principalmente bem antes do festival.

Avaliações individuais – A primeira fase de julgamento ocorreu individualmente pelos jurados, sem discussão e de forma matemática. Uma média coletiva classificava as peças para o shortlist e a média alta classificava as peças que seriam votadas para Leão. Talvez essa seja a fase do festival onde a sorte seja o fator relativo mais eficiente. Conversei com diversas pessoas do júri sobre os trabalhos que chamaram atenção e percebi que as opiniões eram muito antagônicas, então nesse sentido o volume de peças inscritas faz muita diferença, mas ainda não garante o resultado positivo. Haviam muitos trabalhos brasileiros dentro do shortlist, mas muitos deles não tinham pontuação suficiente para disputar os Leões e, como nesta primeira etapa a decisão é matemática e não argumentativa, não há como questionar.

Questão do voto “patriota” ou “fantasma”– A organização do festival na categoria Cyber é altamente imparcial e profissional, não permitindo qualquer condução que caracterize discriminação ou preferência por país, entretanto, as manifestações pessoais dos jurados influenciam muito a disposição do júri em relação aos seus votos. Foram levantadas questões sobre a veracidade de algumas peças de diversos países, incluindo o Brasil e os Estados Unidos. Apesar dos representantes dos países envolvidos nos questionamentos manifestarem ou defenderem as peças, só o questionamento e o clima chato que a situação gera já é suficiente para derrubar as chances de premiação destas peças. A frequência com que isso ocorre durante o julgamento pode generalizar a percepção sobre um país. Sobre esse ponto de vista, as circunstâncias que fizeram com que 2 Leões brasileiros, mesmo de outras mídias, fossem devolvidos por irregularidades quaisquer, podem aumentar e muito desconfianças em desfavor do Brasil no próximo ano.

As categorias ficaram menos abrangentes para o Brasil - no capítulo Cyber, a categoria Website apesar de ter uma peça brasileira no shortlist (FiatIdea.com.br), já se tornou quase impossível para o Brasil ser premiado, por uma questão de mercado mesmo. Enquanto lá fora, as produções dos websites são investimentos e produções cinematográficas que levam até mais de ano para serem produzidas, aqui a gente ainda briga pra ter uma semana a mais nos prazos mais generosos, que em sua maioria não chegam a um mês. O nosso mercado precisa amadurecer muito nesse sentido e entender que desenvolver um site que possa ser testado adequadamente, bem-produzido e bem-finalizado precisa um mínimo de tempo e que esse investimento, que nem sempre é dinheiro, pode trazer muito mais retorno em satisfação do usuário e até mais confiança do consumidor para uma marca. Hoje, os sites que se destacam no mercado nesse sentido são quase todos frutos da dedicação pessoal dos profissionais que abrem mão de tudo pelo desafio de criar algo que seja compatível com suas referências ou simplesmente pela oportunidade de criar auto-referência. Na subcategoria “Campanhas Interativas” a situação também apertou, no entanto, por outras razões. Este ano muitas campanhas interativas lá fora foram os principais instrumentos da modernização da propaganda, tendo desdobramentos integrados em outras mídias e principalmente criando um contexto de envolvimento de marca muito mais rico e inovador do que campanhas baseadas só em banners. Neste aspecto, o dever de casa é nosso (online + offline). É preciso romper os formatos, integrar os meios e tornar uma campanha interativa mais poderosa pela sua composição de experiências ricas e complementares. Por fim, ainda existe a categoria relacionada a peças de mídia online, onde a idéia, a simplicidade e a criatividade são os principais ingredientes. Essa categoria sempre nos assegurou a competitividade e mais, é a categoria em que os brasileiros dominam e são fortemente respeitados.


2 - Qual sua opinião a respeito da performance do País (em termos gerais) nesta última edição do Festival de Cannes?

Acredito que a performance geral do Brasil em propaganda tradicional foi muito ruim. Não pelos resultados em si, até porque haviam coisas premiadas que já não são nenhuma novidade - pelo contrário, o grand prix de press, por exemplo, além de bem-manjado é um típico pensamento criativo brasileiro dos anos 80/90. O Brasil, infelizmente na minha opinião, não tinha muito material competitivo mesmo, exceto por rádio. Por outro lado, vejo que nas categorias Marketing Direto e Promoção poderemos ser mais competitivos se melhorarmos os processos de inscrição.


3 - Na sua visão, quais fatores contribuíram para a restrição de prêmios concedidos ao Brasil (que recebeu o menor número de Leões dos últimos quatro anos)? Terá sido a redução de verbas; a exigência de resultados a curto prazo; a queda de investimentos em pesquisa ou, pelo contrário, o apoio exagerado em dados de pesquisa, visando minimizar erros?

Todos esses fatores não são nenhuma novidade relativa a esse ano, até porque em termos financeiros o brasileiro sempre viveu com a corda no pescoço. Se, por um lado, o problema das agências é falta de ousadia e inovação, por outro, o problema do anunciante é a falta de compromisso com uma comunicação de marca mais inteligente e menos literal. Com isso, estamos construindo um mercado cada vez mais apelativo, criando uma expectativa de consumidor mais oportunista e a longo prazo gerando uma cultura de consumo mais pobre, baseada só em oportunidades de compra em vez de lealdade às marcas.

4 - De que forma as agências e anunciantes brasileiros poderiam reverter este quadro?
Na minha opinião, a pergunta em si já sugere uma alternativa, não para o Brasil ganhar mais prêmio em Cannes, mas para melhorarmos o nível da comunicação como um todo. É preciso que as agências e os anunciantes se autodesafiem e sejam mais comprometidos com a qualidade da comunicação. É uma grande injustiça acreditar que anunciante e agência não sejam diretamente responsáveis pela qualidade da sua comunicação.

Saturday, July 08, 2006

Os “Brazis” do Festival de Cannes 2006.

(artigo publicado na edição do Propaganda & Marketing 10/07/2006)

Diversidade, divergência, diferenças e dicotomia. Resumindo, um turbilhão de pontos de vista e realidades confrontadas marcou o julgamento do Cyber Lion 2006. Não obstante, a própria modernização da propaganda como um todo contribuiu para uma esquizofrenia e dificuldade de comparação entre ações e conceitos que não estão necessariamente restritos a peças, mas a um contexto mais abrangente de comunicação. Trocando em miúdos, a fotografia da premiação Cyber em 2006 é, literalmente, um retrato do momento em que o mercado se encontra, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

Hoje, existem dois assuntos sendo discutidos que são duas grandes bobagens, que atrapalham o momento brasileiro pós-Cannes e não colaboram para o progresso. Em primeiro lugar, qualquer tipo de lamentação genérica sobre o resultado conquistado em Cyber, principalmente se comparado à realidade do dia-a-dia do nosso mercado. Depois, o fato de continuarmos discutindo a criatividade de forma “segmentada”. Tudo bem, a superioridade da premiação em Cyber sob as outras categorias é uma verdade, por uma razão específica que é o exercício criativo. Hoje, quem cria para internet naturalmente é treinado diariamente para extrapolar o uso do meio, enquanto a rotina da criação para os meios tradicionais é orientada para abastecê-los. Esse é um ponto que faz muita diferença e que deveria ser aproveitado para enriquecer a essência da propaganda brasileira. Assim como também é preciso dar peso às estratégias interativas, com a influência de outras mídias, criando uma comunicação ainda mais rica, poderosa, abrangente e mais participativa para o consumidor. A união disso tudo pode fazer realmente uma grande diferença para o mercado e, quem sabe, nos próximos anos poderá até salvar a nossa participação e garantir uma maior competitividade, mesmo na categoria Cyber.

Nós, brasileiros, precisamos ser mais abertos e menos literais, mais colaborativos do ponto de vista disciplinar e, principalmente, do ponto de vista criativo. Basta olharmos para o festival como um todo para percebermos quantas iniciativas interativas que teoricamente seriam restritas ao Cyber e ganharam prêmios em outras categorias. Filmes criados para celular ganhando prêmio na categoria Filme, ações de email-marketing e viralização ganhando em Marketing-Direto, táticas de guerrilha de Internet ganhando Leão em Mídia. Da mesma forma, seria uma grande bobagem não premiar com um Cyberlion um excelente filme viral que tivesse uma pertinência criativa totalmente aderente ao contexto internet, só porque não tem clique. Até porque, se fosse assim, gif-animado nunca poderia ser considerado uma peça interativa. É preciso desapegar-se e trocar experiências.

Enquanto as agências ainda estiverem preocupadas em fazer online & offline em vez de procurarem fazer diferente, as Crispin & Porters da vida continuarão dando as cartas, por uma questão simples de abdicarem dos templates da comunicação tradicional e criarem exemplares únicos de participação de marca na vida dos consumidores. E esse aspecto é uma lição, não restrita ao Brasil.

Muito mais importante do que contar o número de Leões conquistados pelo Brasil, o momento sugere enxergarmos o festival com outros olhos. Com olhos de quem quer tirar algum aprendizado que vai além da competição e da própria premiação, até porque esses fatores são relativos. O evento é importante para dar a oportunidade de conhecermos outras construções criativas, como “Exercise your music muscle” para a Virgin. E também para tirar a prova de que o “filminho de internet” do Ronaldinho criado pela FramFab, aparente despretensioso, se tornou uma das mais avassaladoras ações de propaganda no mundo. É importante até mesmo para podermos ver como os outros mercados estão reagindo a tantas mudanças.

Enfim, se pudesse resumir, o festival só comprovou uma lição que não é apenas para o Brasil, nem para o offline ou para o online. Na verdade é para todo o mercado que, no fundo, é um só: há muito mais a se fazer do que a falar.