Wednesday, April 21, 2010

Novas Diretas Já - A Plebicitocracia Digital

Semana passada voltei de Londres com a cabeça muito adrenalizada, a ponto de não conseguir pregar os olhos por sequer 30 minutos seguidos durante o vôo. Após várias reuniões sobre a indústria mobile global fiquei completamente absorto com as informações sobre esta nova realidade e o seu impacto na sociedade. Seja na Europa, na África, no mundo inteiro a influência do computador de bolso tem mudado e muito a relação entre as coisas e as pessoas.

Graças a um vício chato que eu tenho de não conseguir deixar de paralelizar a realidade brasileira silenciosamente toda vez que estou estudando um briefing de outros mercados, surgiu na minha cabeça uma discussão ou um pensamento paralelo no mínimo interessante.

A questão começou a partir do momento que o nosso "público-alvo" não era mais definido por demografia e nem tão-pouco definição territorial. Trocando em miúdos, nosso mercado em discussão não era um país mas uma nação composta por auto-identificação e valores.

Foi aí que o Brasil com "s" começou a aparecer paralelamente na minha cabeça. A foto imaginária era a seguinte: Um país de quase 190 milhões de habitantes onde essas pessoas são portadoras de quase 180 milhões de celulares. Uma verdadeira nação formada por pessoas contactáveis.

Agora imagine que um celular por mais simples ou "pé-de-boi" que seja, é capaz de enviar mensagens ou operar um portal de voz. Disso surge uma nova poderação. Poderia ser ou já seria o celular a maior ferramenta de conexão entre o cidadão brasileiro e o Estado?

Será que um dia a nossa conhecida urna eletrônica poderia ser uma simples aplicação "mobile"?  Com isso em vez de gerar filas, deslocamento e um alto custo operacional as urnas se tornariam uma aplicação de celular instalada remotamente no bolso dessas centenas de milhões de brasileiros.

É claro que essa discussão é conceitual e por isso não vou nem entrar em questões de segurança para não atrapalhar o questionamento, até porque o melhor da discussão na minha opinião ainda está por vir.

Bom, supondo que as pessoas seriam capazes de participar de eleições e votarem em alguém uma vez a cada quatro anos sentado no sofá das suas casas, porque essas pessoas precisariam escolher alguém para votar tudo por elas? Será que o botão de "sim/não" do plenário não poderia ser substituido por um de mesma função no celular das pessoas? Afinal seriam 180 milhões de votos.

Será que daqui há alguns anos ouviremos nas ruas novamente o grito de Diretas Já? Será que um dia o povo chamará de fato a responsabilidade pra si e reinventará o conceito de representação social?

É engraçado eu só ter tido tempo pra escrever esse post hoje, que é aniversário de Brasília. Um lugar incrível e maravilhoso que sofre tanto pela inconsequência dessas criaturas que ainda apertam os botões por nós.


PS.: Dedico esse post ao guerreiro das Diretas Já, Ulysses Guimarães. Uma pessoa que sempre admirei e com quem tive a oportunidade de trabalhar aos 18 anos de idade em Brasília.

3 comments:

Bruna Comin said...

Acho que não. E muito porque as pessoas estão se distanciando cada vez mais da coisa cara a cara, calorosa, pra chegar n'algum lugar. Parece que existe uma preguiça coletiva.

O voto por celular seria fantástico, agora, a questão do plenário e do restante das decisões precisam que cada um exponha suas idéias e defesas (por mais incompetentes que sejam) no tete a tete.

beijo, Ric.

Blog do Condé said...

Apenas devemos evitar o uso deste tipo de ferramenta como um mecanismo de popularidade.

Imaginem que nem sempre um governante pode tomar decisões olhando para a sua popularidade, assim como um pai que precisa ser austero com o filho para direcionar para um caminho do bem. Um governante deve ser duro para direcionar um país para o melhor.

Fogoió said...

Interessantíssima a análise. Repasse essa idéia, de qualquer forma, 180 milhões de votos seria incrível.